Jornalismo e Literatura
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Nesta secção encontra:

Palavras prévias

Parte I:
O Espécime Misto


Parte II:
Intersecções e Divergências


Parte III:
Outras Afinidades


Bibliografia

Índices remissivos

Ficha técnica

De trabalho académico a livro

Em 1996, quando me iniciei no jornalismo profissional, recolhi, quase por casualidade, duas opiniões diferentes de dois editores da imprensa escrita acerca de como escrever uma notícia.

Um defendia que a notícia devia ser pensada, a nível técnico, para prender o leitor «como se fosse um pequeno romance», enquanto o outro argumentava asperamente contra «os recém-licenciados [em jornalismo] que julgam a escrita para um jornal como uma forma de praticar literatura».

No ano de 1998, no âmbito do curso de Comunicação Social, tive oportunidade de levar mais longe a minha curiosidade sobre o tema e pesquisar com método, notando então a escassez de publicações nacionais sobre a relação entre a escrita jornalística e a escrita literária. Isto apesar de nas entrevistas a jornalistas-escritores raramente faltar uma pergunta sobre o assunto.

Assim nasceu Jornalistas: Contadores de 'Estórias', trabalho académico sobre as relações nem sempre fáceis entre o Jornalismo e a Literatura, que se debruçava já sobre dez dos treze subtemas que constituem o actual livro e aos quais se juntaram "Jovens Jornalistas-Escritores em Portugal: Alguns casos ilustrativos", "Livros-reportagem: Pai - jornalismo, mãe - literatura?" e "O Folhetim: O lugar da literatura nos jornais do passado".

Entretanto - porque passaram quatro anos entre a execução do trabalho académico e a proposta da editora Peregrinação Publications para editar este livro - os dez capítulos anteriormente edificados já solicitavam 'obras' de reestruturação e actualização.

Como depois de apresentar o trabalho continuei a pesquisar sobre o assunto, recolhi material novo e importante, que de modo algum podia ficar por incluir. Por outro lado, alguns jornalistas-escritores já não trabalhavam no mesmo jornal ou revista e outros, que estavam vivos à data do trabalho inicial, tinham falecido, sendo necessário alterar o texto.

Todo este processo levou mais de nove meses de trabalho, sempre em regime de part-time, uma vez que mantive o meu emprego de jornalista. No final, o estudo que apresentara durante a licenciatura, com cerca de quarenta e cinco páginas, crescera para as setenta e cinco, e as menos de noventa notas de rodapé iniciais são actualmente para cima de duzentas.

Digamos que, do primeiro estudo, reciclei os alicerces (ideias), o esqueleto (esquema organizacional dos capítulos) e muitos dos recursos usados (bibliografia). Quando olho para trás, creio que foi um pouco como investir numa casa velha mas de traça original para, com gosto, a recuperar para o presente.

Espero que, como qualquer moradia de dedicada construção, deste livro se mantenham os ossos (pilares de sustentação) mesmo quando o passar do tempo indicar que a mobília (textos) está a ganhar pó e que há novas tintas (outras opiniões e discursos) para mudar a cor das paredes.

Helena de Sousa Freitas


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